Resenha "A Guerra que Salvou Minha Vida" de Kimberly Bradley




Livro: A Guerra que Salvou Minha Vida
Autor: Kimberly Bradley
Editora: Darkside Books
Páginas: 240
Edição 1ª  Ano: 2017
ISBN: 9788594540263
Skoob


“A Guerra que Salvou a Minha Vida” é um daqueles romances que você lê com um nó no peito, sorrisos no rosto e – entre um parágrafo e outro – lagrimas nos olhos. Uma obra sobre as muitas batalhas que precisamos vencer para conquistar nosso lugar no mundo. Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor. Combinando a ternura de Em Algum Lugar Nas Estrelas, outro título da coleção DarkLove, com a realidade angustiante de O Diário de Anne Frank, A Guerra que Salvou a Minha Vida apresenta uma perspectiva da Segunda Guerra Mundial vista pelos olhos de uma menina que se transforma em refugiada no seu próprio país. Mais uma oportunidade perfeita para emocionar corações de todas as idades e relembrar os valores do companheirismo e da amizade em todos os momentos da nossa vida. Vencedor do Newbery Honor Award, primeiro lugar na lista dos mais vendidos do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos. “Dolorosamente adorável.” – The Wall Street Journal




Se tem um livro que estava querendo muito ler esse ano é A Guerra que Salvou Minha Vida. Primeiramente por causa desse título curioso, afinal como uma guerra pode salvar a vida de alguém? Em segundo lugar por conta da sinopse que me pareceu bem interessante e depois a capa que é linda demais. Eu sou uma apaixonada por livros que usam como pano de fundo as famosas guerras mundiais e se caso ainda tiver criança no meio já quero ler, mesmo sabendo que vou chorar litros. Gosto de dramas intensos e que mostram um outro olhar até então desconhecido para nós leitores. Para minha sorte, eu consegui ganha-lo em um sorteio que aconteceu no instagram do site Tapioca Mecânica (@tapioca_mecanica). Agora vamos ver um pouco sobre o que eu achei dessa história.

A personagem principal é uma menina chamada Ada. A leitura começa mostrando a pequena que tem em torno de dez anos (pois ela não sabe exato ainda quantos anos possuí) vendo a vida pela janela de um apartamento. Por ter um dos pés aleijado, a mãe de Ada a proibia de sair para a rua. Ela era um ser totalmente abusivo e maltratava a filha tanto fisicamente como psicologicamente. Fazia a menina de empregada e sempre a humilhava dizendo as coisas mais absurdas devido a sua deficiência. Na maior parte do tempo Ada ficava sozinha cuidando da casa enquanto a mãe ia trabalhar em um pub em baixo do apartamento no qual eles moravam. O único motivo de alegria de Ada era seu irmão mais novo Jamie. Ele era seu acalento. Ada cuidava dele desde bebê, fazia comida, cantava e brincava com ele. A menina era praticamente a mãe de Jamie, mesmo sendo uma criança e tendo tão pouca diferença de idade. O menino, ao contrário de sua irmã, ia ao colégio, brincava com os amigos na rua, tinha uma vida normal como qualquer garoto nessa fase.

Com o início da Segunda Guerra muitas crianças estavam sendo mandadas pelos seus pais para o interior para ficarem longe do perigo que era na capital, Londres, já que a cidade era um dos alvos de bombardeios. A mãe de Ada e Jamie estava querendo mandar apenas o menino e deixar Ada com ela, alegando que ninguém ia querer uma criança aleijada. Mas os dois irmãos acabam fugindo e indo juntos para o colégio, onde de lá iam partir todas as crianças para suas novas casas no interior. Chegando no local os pequenos são escolhidos pelos moradores da região, mas Ada e Jamie acabam sobrando e uma das professoras tem a ideia de levá-los para a casa de Srta. Susan Smith, uma mulher solteira e que vive sozinha. Por estar abalada emocionalmente por conta de uma perda recente e também por não ter nenhuma noção de como cuidar de crianças, a Srta. Smith não estava querendo ficar com eles, mas acaba aceitando.

"Gente boa odeia esse pé horroroso." A Srta. Smith soltou uma risada curta e áspera. "Então você está com sorte, porque de boa eu não tenho nada." 

Durante a leitura vamos acompanhar e ver a evolução de Ada e Jamie em uma nova casa e com uma nova pessoa responsável por eles temporariamente. A adaptação das crianças não foi fácil, afinal era uma vida totalmente diferente no qual elas estavam acostumadas. Para Ada ainda foi mais difícil, já que a menina tinha traumas do passado e não possuía muito conhecimento sobre as coisas por passar todos esses anos presa dentro de um apartamento. Mas ela era esperta e determinada. Não tinha medo de nada e não ia se abater principalmente agora no qual a guerra, por mais incrível que pareça, estava dando essa oportunidade para ela de saber realmente o que é viver além da vidraça de uma janela.

"Ela agarrou a ponta da minha trança e sacudiu. "Sua coragem, sua disposição e sua determinação", estava falando errado, que raiva, "levarão você à vitória, minha querida."...Dei um chicoteio com a trança para que a Srta. Smith a soltasse. Não perguntaria mais o significado de palavras nenhuma. Estava muito cansada das palavras, mas a Srta. Smith me olhou e respondeu, mesmo assim. "Vitória significa paz". 

A história é lindamente narrada em primeira pessoa. Ada é quem mostra ao leitor como é descobrir o mundo de verdade. Ela mostra também toda a sua luta e superação. É um personagem tão bem desenvolvido e tão próximo da realidade que muitas vezes você fica com vontade de abraça-la e dizer o quanto ela é uma menina especial e vencedora. Tem passagens que mostram a dificuldade de Ada em aceitar carinho e amor, já que não recebia isso quando morava com sua própria mãe. A autora Kimberly Bradley soube explorar perfeitamente esse aspecto, pois não acho que alguém depois de tanto tempo sendo maltratado conseguiria aceitar de primeira tais sentimentos, ainda mais sendo uma criança no qual está aprendendo ainda sobre a vida. 

Em contra partida, temos a Mãe. Ela só é mencionada assim no livro, não sabemos o nome dela e para ser sincera acho que foi bom não saber, talvez até tenha sido esse o objetivo da autora, só deixar claro que ela era a "mãe". Também foi um personagem bem desenvolvido e mostrando um outro lado daquele estereótipo que fala que toda mãe é boa. Não, não é. Em primeiro lugar, se a pessoa não for um bom ser humano, nada do que virá a seguir fará ela melhorar. Tem gente que tem prazer em ser assim e não há o que aconteça na vida que a modifique. Isso fica claro com a Mãe, uma pessoa ruim, preconceituosa, incapaz de amar seus próprios filhos e incapaz de amar a si mesma. Tive ódio mortal dela e penso que existe muitos casos de mães, pais, que agem da mesma maneira por aí. 

Acho importante ressaltar novamente que o livro não é sobre a Segunda Guerra. Falo isso porque tem pessoas que não gostam de livros sobre esse assunto, então é bom avisar. Apesar de ter alguns fatos históricos inseridos, a guerra é só um pano de fundo, pois o foco foi a evolução e o convívio de Ada, Jamie e Susan. Para ser mais coerente, na verdade o foco foi mostrar a guerra sim, mas aquela guerra que enfrentamos diariamente, aquela que está dentro de nós, independente de qual seja, todos nós temos que lutar em guerras internas e que cabe somente a nós mesmos, vencer ou perder. 

Com uma escrita fácil e mostrando uma outra visão sobre a guerra, a autora só merece aplausos por essa obra e pela criatividade. A história em si não é surpreendente, pois ela caminha do jeito que a gente imagina e o final é o esperado, porém é um livro sensível e que toca bem na nossa alma. Teve momentos que chorei, outras sorri, mas como diz o Roberto Carlos: O importante é que emoções eu vivi. E como eu vivi com essa leitura! Já quero novos livros da Kimberly Bradley!

A Guerra que Salvou a Minha Vida é o primeiro livro que leio da Darkside, a editora queridinha do momento e que faz jus a esse papel. Ele é impecável, começando pela bela capa dura e a ilustração de Ada bem no meio com o cenário atrás que existe na história. Não consegui achar nenhum erro na diagramação, se tinha algum passou despercebido. O trabalho gráfico é maravilhoso e tem fotos reais da Segunda Guerra. Dá só uma olhada abaixo:







Agora fica uma pergunta no ar: Qual guerra você está enfrentando atualmente? Lembre-se de acordo com esse livro que mesmo nas situações ruins sempre vai existir algo bom, basta estarmos atentos e procurarmos sempre o melhor mesmo nas dificuldades. Rumo a vitória!

16 comentários

  1. Oi, Vivian!
    Querendo ou não, a guerra realmente salvou a vida de Ada e do seu irmão.
    Eu li esse livro no começo do ano e gostei bastante. Sua resenha ficou maravilhosa!
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe das promoções em andamento e ganhe prêmios maravilhosos

    ResponderExcluir
  2. Oi Vivi, que resenha linda e super completa, adorei!! Eu amei esse livro, eu esperava algo pesado e encontrei uma narrativa mais leve do que eu imaginava, sem perder o drama que é necessário na história. E a edição da Darkside só amentou meu carinho pela obra! <3

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

    ResponderExcluir
  3. Oi, Vivian. Ainda bem que você disse que o livro não retrata realmente a guerra, porque sempre imaginei aquelas cenas fortes que vemos de pessoas morrendo e por isso nunca peguei o livro para ler. Eu amei essa edição da editora, deixou tudo indo e imagino que a história seja totalmente delicada. Agora quero ler mais do que nunca!
    Beijos
    http://www.leitoraencantada.com

    ResponderExcluir
  4. Oi Vivian! Eu também estou doida para ler esse livro, pois também me pergunto como uma guerra pode salvar a vida de alguém. Além disso, me encantei com essa capa desde a primeira vez que botei os olhos nela e ainda sonho com o dia que conseguirei ler.
    Agora quanto a minha guerra? Realmente o que parecia ser algo triste pelo que estou passando, estou tirando muitas lições e vendo coisas boas que não veria se estivesse "tudo bem"...
    Bjks!

    Mundinho da Hanna

    ResponderExcluir
  5. Olá, Vivian.
    Eu sou dessas também que ama um livro que tem alguma coisa a ver com as grandes guerras. E se for com crianças ainda me derreto. Esse é um livro que está na minha lista. E além de ser uma bela história pelo que li na resenha, ainda tem essa edição linda da editora.

    Prefácio

    ResponderExcluir
  6. Não conhecia o livro, mas a história parece incrível, bem ao meu gosto e a edição parece muito bonita =)

    MRS. MARGOT

    ResponderExcluir
  7. Muitas pessoas já me falaram que essa história é muito linda, e agora vendo sua resenha só consigo ter certeza disso. Já quero ler :)

    www.vivendosentimentos.com.br

    ResponderExcluir
  8. olá
    que coincidência, também tenho um livro fantasia sobre a segunda guerra mundial e a protagonista é uma menina chamada Ada também
    mas as histórias são bem diferentes hehehe
    depois vou querer ler, gostei da sinopse
    beijão
    Karina Pinheiro

    ResponderExcluir
  9. Oi Vivian,
    Eu gosto muito das edições da Darkside. Elas são tão completas, né?
    Amei demais!
    Já a obra, não a li, mas quero muito. Adoro essa reflexão que ela nos traz. Até porque, o enredo parece bem diferente de tudo que li.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  10. Gostei da resenha Vivian. Esse livro parece ser maravilhoso, além de nos trazer uma história tocante. E sim, a Darkside capricha muitíssimo em sua linha editorial. Beijo!

    www.newsnessa.com

    ResponderExcluir
  11. Oi, Vi

    Sabe que eu não curto a DarkSide? Acho muita imagem e pouco conteúdo! Hahaha
    Claro que há as exceções, como parece ser o caso desse, e achei muito bom o seu adendo sobre a guerra não ser o foco, pois eu sou dessas que não curtem histórias sobre guerra.
    No mais, apesar da sua excelente resenha e sobre a história me parecer de fato emocionante, não é um livro que me enche os olhos. Porém, não descarto uma leitura futura! :)

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

    ResponderExcluir
  12. Oi, Vi

    Sabe que eu não curto a DarkSide? Acho muita imagem e pouco conteúdo! Hahaha
    Claro que há as exceções, como parece ser o caso desse, e achei muito bom o seu adendo sobre a guerra não ser o foco, pois eu sou dessas que não curtem histórias sobre guerra.
    No mais, apesar da sua excelente resenha e sobre a história me parecer de fato emocionante, não é um livro que me enche os olhos. Porém, não descarto uma leitura futura! :)

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

    ResponderExcluir
  13. Oi Vivian,
    Gosto de narrativas que se passam na guerra então, leria esse livro de boa. O problema é a emoção hahaha, só lendo a resenha já sei que vou ficar emotiva em alguns pontos. E gostei muito da edição também parece estar linda. E infelizmente, nunca li nenhum livro dessa editora, sempre bem caros para meu bolso. Ótima resenha!

    tenha um ótimo domingo :D
    Nana - Canto Cultzíneo

    ResponderExcluir
  14. Oi Vivian! Eu gosto de histórias passadas neste época, A Menina Que Roubava Livros é um dos meus livros favoritos, mas pelo visto este aqui é bem emocionante, mas foca mais nos dramas pessoais. Não vejo a hora de ler.
    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

    ResponderExcluir
  15. Oi Vivian!
    Esse livro é muito bonitinho.
    Acho que é impossível não sentir essa raiva da mãe. Que personagem detestável.
    E realmente, o livro não é sobre a guerra. É sobre o amadurecimento desses personagens em uma situação de guerra. Acho que esses são sempre os melhores.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

    ResponderExcluir
  16. Olá Vivian, tudo bem??
    Que resenha linda mulher!!!! Eu amei, sério!
    Eu não imaginava que o enredo do livro seria assim. Achei que tivesse algo haver com a guerra e eu não curto muito ler livros com essa temática principal. Agora fiquei curiosa sobre a história... Eu sou fã da Darkside e tem alguns livros que tenho e que pretendo ler. Xero!

    https://minhasescriturasdih.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

Obrigado pela sua visita!
Seu comentário é muito bem vindo!
Volte sempre !

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...